O que você precisa saber sobre a IFRS S1 e S2: o novo padrão global de transparência ESG

Resumo:

quatro pessoas sentadas em um escritório, conversando sobre a mudança da ifrs s1 e s2

As normas internacionais de sustentabilidade transformam dados de cultura inclusiva em decisões estratégicas e conectam governança, impacto social e DEI aos relatórios financeiros das empresas

Embora a agenda climática exista há algumas décadas, os temas relacionados à sustentabilidade e ao clima vêm  ganhando maior destaque nos últimos anos. A partir deste ano, por exemplo, empresas de capital aberto no Brasil terão que reportar suas informações de sustentabilidade seguindo as normas internacionais IFRS S1 e S2, estabelecidas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB). 

O objetivo do ISSB é firmar diretrizes que auxiliem as organizações a reportar dados precisos e em conformidade internacional sobre seus riscos e oportunidades socioambientais. Isso abrange questões essenciais como mudanças climáticas, biodiversidade e direitos humanos

Com esse propósito, o conselho lançou as normas IFRS S1 (sobre requisitos gerais de sustentabilidade) e IFRS S2 (focada especificamente em clima). Esses documentos oferecem aos investidores uma base sólida para analisar como a sustentabilidade e os efeitos climáticos influenciam as operações, os ativos e o desempenho financeiro de uma companhia.

“A adoção das normas IFRS vai além de um registro histórico; ela atua como uma bússola para decisões estratégicas no presente, fundamentando escolhas mais conscientes que tendem a sustentar a resiliência e a longevidade da organização.”

A mudança, exigência regulatória da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), não é apenas um ajuste técnico. Ela representa um movimento global de padronização e transparência que coloca questões ambientais, sociais e de governança (ESG) no centro da estratégia financeira das organizações. No entanto, dados recentes mostram que 65% das empresas brasileiras ainda não estão preparadas para implementar essas normas, segundo pesquisa da RSM de 2024. Até abril de 2025, apenas duas empresas (Vale e Lojas Renner) optaram pela divulgação voluntária, evidenciando o desafio que está por vir.

IFRS S1 e S2: por que a preparação deve começar agora mesmo?

Um dos grandes desafios das normas IFRS S1 e S2 está no tempo necessário para coleta, validação e análise de dados. Diferentemente dos relatórios financeiros tradicionais, que já contam com sistemas consolidados, as informações de sustentabilidade exigem integração de múltiplas áreas e fontes de dados. Empresas precisam mapear riscos climáticos, medir emissões de gases de efeito estufa, avaliar impactos sociais e demonstrar como a governança corporativa supervisiona essas questões.

Por isso é muito importante que as organizações já comecem a se preparar a partir de agora. Afinal de contas, é um trabalho que envolve o mapeamento de indicadores ESG, integração na base de dados e garantia de rastreabilidade das informações, um processo que exige revisão profunda da governança interna.

“A implementação das IFRS S1 e S2 não pode ser tratada como uma demanda pontual de compliance, pois seu maior desafio reside na identificação e gestão de riscos e oportunidades socioambientais que impactam o valor da companhia. As empresas precisam estruturar processos robustos e contínuos de dados que conectem esses fatores à estratégia de negócio. Na PlurieBR, por exemplo, apoiamos essa jornada com o módulo ESG Insights, que utiliza tecnologia para transformar a análise de riscos em decisões estratégicas, garantindo a precisão técnica necessária para o novo cenário regulatório”, afirma Laura Salles, CEO da PlurieBR, primeira plataforma SaaS de gestão de cultura inclusiva do Brasil.

Como impacto social, governança e DEI se integram ao relatório

Embora a IFRS S2 tenha foco climático, a IFRS S1 abre espaço para que empresas reportem outros dados de sustentabilidade que podem impactar financeiramente o negócio. E é aqui que entram questões sociais como diversidade, equidade e inclusão (DEI)

Segundo pesquisa recente da Deloitte com profissionais de Relações com Investidores, 78% das empresas brasileiras afirmam ter líderes de grupos minorizados e 59% promovem ações de DEI. No entanto, apenas 31% vinculam indicadores à área de ESG, limitando o engajamento estratégico com o tema. A tendência é que investidores passem a exigir cada vez mais dados concretos sobre como políticas de inclusão afetam a retenção de talentos, a inovação e a reputação corporativa.

A integração de DEI aos relatórios IFRS vai além de números de diversidade no ambiente de trabalho. Ela exige que as empresas demonstrem como as questões sociais se conectam à estratégia de negócio e ao desempenho financeiro. Isso inclui, por exemplo, como programas de inclusão impactam a atração e retenção de talentos, como a diversidade na liderança influencia a tomada de decisão, e como iniciativas de equidade salarial afetam a estrutura de custos.

Nesse processo, a governança corporativa tem papel fundamental: é necessário demonstrar que há supervisão ativa do Conselho de Administração sobre temas sociais, com comitês específicos, metas definidas e mecanismos de monitoramento. As métricas de DEI devem ser auditáveis e rastreáveis, seguindo os mesmos padrões de rigor dos dados financeiros.

“Diversidade e inclusão não são mais questões periféricas. Com as IFRS S1 e S2, esses temas entram no coração da estratégia corporativa e do diálogo com investidores. A PlurieBR foi criada justamente para ajudar empresas a transformarem suas iniciativas de cultura inclusiva em dados confiáveis e estratégicos. Nossa plataforma permite que organizações não apenas meçam, mas conectem seus esforços de DEI aos resultados de negócio, criando narrativas consistentes e baseadas em evidências para stakeholders”, complementa Laura Salles.

Jornada para a implementação nas empresas

O caminho para a conformidade com as normas IFRS S1 e S2 exige agilidade e visão estratégica. A jornada inicia-se com um diagnóstico de maturidade ESG, essencial para identificar quais dados já estão disponíveis e quais lacunas precisam ser preenchidas. Em seguida, as organizações devem definir os temas que podem impactar financeiramente o negócio, abrangendo não apenas a agenda climática, mas também pilares sociais cruciais, como DEI (diversidade, equidade e inclusão), saúde, segurança ocupacional e práticas trabalhistas.

Nesse cenário, a tecnologia torna-se o alicerce para a estruturação, coleta e gestão de dados, garantindo a rastreabilidade e a auditabilidade exigidas pelo mercado. O ESG Insights, da PlurieBR, consolida-se como um facilitador estratégico nesse processo, apoiando as empresas na busca pelo equilíbrio socioeconômico e ambiental. A plataforma automatiza a jornada de sustentabilidade, do diagnóstico inicial à gestão de riscos e oportunidades, integrando frameworks globais como GRI, SASB, CSRD e as próprias normas IFRS. 

O grande diferencial reside no uso de agentes de IA de ponta a ponta, que conferem precisão técnica a análises complexas e asseguram que a sustentabilidade seja gerida como um pilar central da estratégia corporativa.

Para concluir este ciclo de preparação, é fundamental capacitar as equipes, fortalecer a governança e estruturar os processos para a auditoria externa, que passa a ser obrigatória a partir deste ano.

Mais do que uma obrigação regulatória, as normas IFRS S1 e S2 são uma oportunidade para demonstrar, por meio de dados concretos, como o ESG gera valor real. Empresas que investem em sistemas robustos e integram essas práticas ao seu core business conquistam vantagens competitivas claras: maior confiança do mercado, acesso facilitado a capital, mitigação de riscos e uma reputação fortalecida. A tendência é que o mercado valorize, cada vez mais, companhias que comprovem suas práticas com transparência e rigor. Para gestores de cultura inclusiva, RH e sustentabilidade, este é o momento de assumir o protagonismo e garantir uma voz ativa e direta no futuro das organizações e no diálogo com investidores.

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