Equidade de gênero para além do papel social: DEI como estratégia de crescimento para empresas

Resumo:

Organizações que estruturam sua cultura com dados e estratégia de diversidade crescem mais, retém mais talentos e lideram seus mercados
Uma mulher negra está segurando um megafone, enquanto segura uma placa com os dizeres "Yes, girl can" (Sim, garotas podem), clamando por equidade de gênero em empresas

Por muito tempo, a discussão sobre equidade de gênero nas empresas ficou restrita ao campo da responsabilidade social ou do marketing institucional. Incluir mulheres em campanhas, publicar fotos diversas no LinkedIn e declarar compromissos públicos eram ações suficientes para compor a narrativa de uma empresa preocupada com as pessoas. Mas o cenário mudou. E os dados confirmam: a equidade de gênero é, hoje, uma das variáveis mais comprovadas de crescimento financeiro sustentável.

A pergunta que as lideranças precisam responder não é mais ‘por que incluir mulheres?’, mas sim ‘como estruturar um plano de Diversidade, Equidade, Inclusão e Pertencimento (DEIP) que gere resultados mensuráveis?’. 

E para responder isso com precisão, é necessário começar pelo que toda boa iniciativa exige: dados confiáveis, diagnóstico robusto e tecnologias e ferramentas capazes de apoiar essa jornada, transformando as informações do negócio em ações concretas e orientadas por evidências.

O que os números dizem sobre diversidade de gênero e desempenho

Diversas pesquisas de grandes consultorias e organizações internacionais têm evidenciado a relação direta entre equidade de gênero e desempenho empresarial. Um estudo da International Labour Organization (ILO), da ONU, demonstrou que, entre as empresas que trabalham ativamente na promoção de um ambiente mais igualitário, 74% relataram crescimento de 5% a 20%. Além disso, 60,2% dessas companhias registraram aumento no lucro, e 56,8% notaram melhora na atratividade e retenção de talentos.

No Brasil, o cenário ainda revela muito espaço para avanço. Segundo a pesquisa Women in Business 2024, da Grant Thornton, o país ocupa o 10º lugar entre os 28 países analisados em termos de participação feminina em cargos de liderança, com 37%. 

Apesar de positivo, o número representa uma queda de 2% em relação ao ano anterior, quando o Brasil atingiu o recorde de 39%. Ao mesmo tempo, o relatório de transparência salarial do governo federal, divulgado em setembro de 2024, mostrou que mulheres ainda recebem, em média, 20,7% menos que homens no país.

O impacto econômico de corrigir essa distorção é expressivo. Em fevereiro de 2026, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou uma análise concluindo que reduzir pela metade a diferença de participação entre homens e mulheres no mercado de trabalho brasileiro poderia adicionar cerca de 0,5 ponto percentual ao crescimento anual do país. O diagnóstico reforça que ampliar a presença feminina no mercado de trabalho é um dos principais motores de crescimento disponíveis para o Brasil. 

DEIP como estratégia: por que ir além da igualdade formal

A equidade de gênero, dentro do marco DEIP, não se limita a garantir que homens e mulheres ocupem o mesmo espaço físico na empresa. Ela diz respeito a criar condições estruturais para que pessoas de diferentes gêneros tenham oportunidades reais de crescimento, reconhecimento e desenvolvimento, sem que barreiras invisíveis de cultura, vieses inconscientes ou políticas inadequadas operem como obstáculos.

Mas falar em equidade de gênero sem reconhecer a diversidade dentro do próprio grupo “mulheres” é reproduzir uma visão parcial da realidade. Mulheres negras, mulheres com deficiência, mulheres LGBT+ e mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica enfrentam camadas sobrepostas de discriminação que não são capturadas quando se analisa gênero de forma isolada. 

Uma política de equidade que não considera essas intersecções pode, paradoxalmente, beneficiar apenas mulheres brancas, cisgênero e sem deficiência, deixando as mais vulnerabilizadas ainda mais para trás.

Segundo a edição 2024/2025 da Pesquisa Ethos/Época de Diversidade, Equidade e Inclusão, realizada com 224 organizações brasileiras, 83 delas já incluem DEIP em seus planejamentos estrategicos. 

A presença de mulheres em programas de contratação subiu de 55,88% em 2024 para 59,38% em 2025. Ainda assim, o estudo aponta que metas estruturadas de atração e retenção de talentos seguem sendo um dos principais desafios nos negócios, já que exigem envolvimento genuíno das empresas.

Isso acontece porque muitas organizações declaram apoio à equidade de gênero, mas operam sem indicadores claros, sem benchmarks de mercado e sem ferramentas para medir o impacto real das iniciativas implementadas. E é assim que boas iniciativas viram ações isoladas, e ações isoladas não transformam culturas.

O que o Censo de Diversidade revela sobre a realidade das empresas

Um dos maiores problemas enfrentados pelas organizações ao tratar de equidade de gênero é a ausência de um diagnóstico preciso sobre a própria realidade. Sem saber quem são as pessoas que compõem a empresa, como elas estão distribuídas por cargos, áreas e níveis hierárquicos, é impossível construir estratégias efetivas.

E para preencher exatamente essa lacuna que um Censo de Diversidade deve ser realizado nas companhias. Ele permite, por meio de tecnologias de gestão dos dados e equipe especializada, que empresas capturem dados demográficos de suas equipes em tempo real, gerando diagnósticos precisos sobre a composição de seus times por gênero, raça, faixa etária, pessoas com deficiência, identidade de gênero e outros marcadores sociais relevantes.

Com essas informações em mãos, a liderança consegue ir além do discurso e identificar, por exemplo, em quais áreas da empresa as mulheres são sub-representadas, onde estão concentrados os gaps de progressão de carreira entre gêneros, e quais equipes apresentam maior rotatividade de talentos femininos. Essas informações criam a base para um plano de ação concreto, monitorável e conectado aos objetivos de negócio. 

“Não dá mais para falar em cultura inclusiva sem dados. O Raio X da Diversidade PlurieBR vai além de um censo tradicional de demografia: ele também revela como diferentes grupos vivenciam a cultura, o pertencimento e as oportunidades na organização. É exatamente para tirar as empresas do campo das suposições e colocar a liderança diante da realidade de quem compõe seus times. Porque só quem conhece a própria realidade consegue, de fato, transformá-la com estratégia e intencionalidade”, afirma Laura Salles, fundadora e CEO da PlurieBR

De dados a decisões: como a plataforma PlurieBR conecta equidade e resultado

Toda transformação começa com clareza e, no contexto da equidade de gênero, isso significa entender a realidade interna da empresa antes de qualquer movimento estratégico. Mas transformar esse conhecimento em decisões estratégicas exige ir além do diagnóstico inicial: é preciso analisar os dados com profundidade, identificar padrões, riscos e oportunidades, e conectar tudo isso aos resultados do negócio. 

É exatamente com essa lógica que a PlurieBR foi estruturada, em três pilares complementares: medir, analisar e gerar valor para os negócios. No pilar de medição, além do Raio X da  Diversidade, a plataforma captura indicadores de pessoas ao longo de toda a jornada profissional, segmentados por grupo social, área e liderança. Isso permite identificar, por exemplo, em que momentos o pipeline de mulheres é mais impactado negativamente dentro da empresa.

Já no pilar de análise, a PlurieBR mapeia riscos de DEIP e ESG, identifica os principais gaps em relação a benchmarks de mercado e posiciona a reputação da marca frente ao setor. Essa visão comparativa é fundamental para que empresas entendam onde estão em relação às práticas das organizações de referência e o que precisam ajustar para se manterem competitivas na atração de talentos e na agenda de sustentabilidade corporativa.

Por fim, o pilar de geração de valor conecta todas essas análises ao impacto no negócio: reúne indicadores que ajudam a mensurar o ROI de iniciativas de inclusão em engajamento e retenção, a redução de custos com rotatividade e riscos jurídicos, além de  evidenciar como a reputação e a imagem de marca se fortalecem com uma cultura inclusiva genuína.

Ótimo, tenho dados sólidos e atualizados com fontes verificáveis. Aqui está o texto reescrito com os hiperlinks indicados:

Equidade de gênero com recorte interseccional: por que não basta falar de “mulheres”

Falar em equidade de gênero sem considerar a interseccionalidade é construir uma igualdade incompleta. Raça, gênero, orientação sexual e deficiência não operam como fatores isolados. Eles se combinam e criam experiências únicas de exclusão que políticas genéricas de diversidade não conseguem endereçar. 

Quando uma empresa estrutura sua agenda de equidade olhando apenas para o recorte de gênero, corre o risco de beneficiar sobretudo um perfil específico de mulher, deixando de fora justamente aquelas cujas vivências e atravessamentos exigem um olhar muito mais cuidadoso e intencional.

No contexto brasileiro, os dados revelam esse apagamento. O 4º Relatório de Transparência Salarial, divulgado pelo governo federal em novembro de 2025 com base em dados de 54 mil empresas, aponta que mulheres negras recebem 46% a menos do que homens brancos. Não se trata apenas de uma lacuna de gênero. É a combinação do recorte racial com o de gênero gerando uma penalidade salarial dupla, concreta e mensurável. 

No campo da identidade de gênero, um estudo do Ipea, publicado em outubro de 2025, revelou que apenas 25% das pessoas trans estavam empregadas formalmente no Brasil, percentual quase 7 pontos inferior à média nacional. Entre mulheres trans e travestis, essa taxa cai ainda mais: apenas 20,7% têm vínculo formal. Para cada um desses grupos, as barreiras não são apenas culturais. São estruturais e persistem independentemente do nível de escolaridade ou qualificação.

Do ponto de vista dos vieses, as mulheres de grupos sub-representados enfrentam camadas sobrepostas que precisam ser nomeadas pelas empresas. Mulheres negras são impactadas pelo viés racial na contratação, pelo estereótipo de “hipercompetência emocional” que lhes rouba o direito à vulnerabilidade, e pela ausência de espelhos em posições de referência.

Mulheres com deficiência convivem com o viés capacitista que questiona sua produtividade antes mesmo de avaliar suas entregas, além de ambientes físicos e digitais que seguem não sendo acessíveis. Mulheres LGBT+, especialmente as trans e travestis, enfrentam exclusão já na porta de entrada: processos seletivos que não respeitam o nome social, políticas de apresentação que ignoram sua identidade e ambientes onde precisam se tornar invisíveis para sobreviver. Reconhecer esses vieses não é apenas uma questão de justiça social, é também uma condição para que a estratégia DEIP seja, de fato, efetiva nos negócios.

Mulheres na liderança: o impacto que vai além das métricas

Quando falamos em equidade de gênero como estratégia de crescimento, não estamos apenas falando de porcentagens em cargos de liderança. Estamos falando de como a presença de mulheres em posições de decisão muda a forma como as empresas pensam, inovam e se relacionam com seus públicos.

Segundo o relatório “Diversity Matters Even More”, da McKinsey (2023), a probabilidade de superação financeira entre empresas com maior diversidade de gênero na liderança cresceu de 15%, em 2015, para 39% em 2023, o que representa mais que o dobro em menos de uma década. O estudo, que analisou mais de 1.200 empresas em 23 países, reforça que empresas com mais de 30% de mulheres em suas equipes executivas são significativamente mais propensas a superar financeiramente aquelas com menor representatividade. 

Nos últimos dez anos, a representação feminina avançou em todos os níveis corporativos. Segundo o “Women in the Workplace 2024”, maior estudo sobre mulheres no ambiente corporativo, realizado pela McKinsey em parceria com a LeanIn.Org, as mulheres hoje ocupam 29% das posições de alta liderança, comparado a apenas 17% em 2015. Um salto relevante, mas que ainda está longe do equilíbrio.

Isso porque o mesmo relatório aponta que o progresso é frágil e, no ritmo atual, seriam necessários quase 50 anos para alcançar a paridade plena de representação feminina na liderança. Esse dado por si só deveria ser um alerta para qualquer organização que acredita estar avançando o suficiente. 

Mais do que um problema social, a lentidão desse movimento representa uma perda concreta de diversidade de perspectivas, de capacidade de inovação e de conexão com mercados que as mulheres representam e influenciam diretamente. Empresas que compreendem isso saem na frente, atraem talentos melhores, tomam decisões mais equilibradas e constroem culturas organizacionais mais sólidas e sustentáveis.

Do compromisso a estratégia: o que as empresas precisam fazer agora

A Pesquisa Ethos/Época 2024/2025, mencionada anteriormente, também mostrou que 43,1% das empresas brasileiras já possuem estratégias específicas para DEIP. Mas apenas 22,4% acreditam que seu planejamento é extremamente efetivo. Esse abismo entre ação e resultado é exatamente onde mora o maior desafio das organizações brasileiras que buscam evoluir em equidade de gênero.

A efetividade de uma estratégia DEIP depende de três elementos fundamentais: dados confiáveis sobre quem compõe a empresa, análise estruturada desses dados para identificar prioridades, e ações conectadas a resultados de negócio mensuráveis. Sem esse triângulo, qualquer iniciativa corre o risco de ser percebida como cosmética, tanto internamente pelas colaboradoras quanto externamente pelo mercado.

E esses dados precisam considerar recortes interseccionais. Não basta saber quantas mulheres há na empresa. É necessário saber quantas são negras, quantas têm deficiência, quantas são LGBT+, em quais níveis hierárquicos cada grupo está presente e qual é sua trajetória de progressão comparativa. 

Sem esse nível de conhecimento, as políticas de gênero correm o risco de beneficiar apenas uma parte do grupo “mulheres”, justamente aquela que já ocupa posições de maior privilégio dentro da própria categoria. A inclusão real exige ver quem ainda está de fora.

Para Laura Salles, fundadora e CEO da PlurieBR, a equidade de gênero já não pode ser tratada como um projeto paralelo nas organizações. 

“Empresas que ainda tratam diversidade e inclusão como uma pauta de comunicação estão perdendo uma vantagem competitiva real. Evidências de mercado já mostram que equipes mais diversas geram melhores resultados, tomam decisões mais equilibradas e criam culturas que atraem e retêm os melhores talentos. O que falta para a maioria é metodologia. E é exatamente isso que a PlurieBR oferece: a inteligência para transformar compromisso em estratégia e estratégia em resultado mensurável“.

Equidade como alavanca de crescimento 

A equidade de gênero ocupa hoje um lugar que vai muito além do discurso institucional. Ela atravessa decisões de compliance, atratividade para investidores e competitividade no mercado de talentos. Empresas que ainda não estruturaram sua abordagem DEIP com dados e metodologia carregam uma lacuna que, com o tempo, se converte em desvantagem competitiva real.

O ponto de partida para qualquer organização que deseja evoluir de forma genuína e estruturada é simples e começa por conhecer sua própria realidade. Saber quem são as pessoas que compõem seus times, como elas estão distribuídas, como é sua experiência dentro da cultura organizacional e quais barreiras, visíveis ou invisíveis, limitam seu desenvolvimento.

No fim, a pergunta que cada liderança precisa se fazer não é se a equidade de gênero vale o investimento. Os dados já responderam isso. A pergunta real é quanto tempo a organização ainda pode se dar ao luxo de crescer sem ela.

Empresas que avançam nessa agenda não estão apenas cumprindo uma obrigação legal ou respondendo a uma pressão de mercado. Estão reconhecendo, na prática, que diversidade de perspectivas gera melhores decisões, que a inclusão verdadeira constrói culturas mais resilientes e que equidade de gênero não é um ponto de chegada, mas uma forma mais inteligente de operar. As empresas que entendem isso não estão apenas fazendo o certo, estão fazendo o mais estratégico.

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