Cultura inclusiva: como a Tenda transformou contratação de imigrantes em estratégia

Resumo:

O programa de cultura inclusiva da empresa já impactou mais de 1.500 vidas e reduziu a rotatividade em 27% comparado aos trabalhadores brasileiros. Saiba mais!

Conheça o case da Construtora Tenda e o modelo de cultura inclusiva que gera mobilidade social e confiança interna comprovada por resultados

A história da inclusão na Construtora Tenda é um case de sucesso que demonstra como a gestão intencional de diversidade e cultura pode gerar impacto social profundo e vantagem competitiva. Desde 2021, a Tenda desenvolveu um programa estruturado que, ao longo do tempo, já impactou a vida de mais de 1.500 pessoas.

O ponto de partida foi uma decisão que exigiu coragem institucional: enxergar na crise humanitária venezuelana não apenas um desafio social, mas uma oportunidade genuína de alinhar a responsabilidade humana com necessidades operacionais reais de mão de obra.

Foi assim que nasceu o programa Reconstrução, focado na contratação de imigrantes da Construtora Tenda, que hoje mobiliza mais de 500 profissionais em sete estados brasileiros. Esta iniciativa não só contribui para resolver um problema de mão de obra da empresa, mas se estabeleceu como um motor de mobilidade social para famílias em busca de um recomeço.

Hoje, no blog, exploramos como essa transformação cultural foi construída, superando barreiras de idioma e diferenças culturais, e como seus resultados se refletem em números sólidos, como a rotatividade de imigrantes 27% menor que a de brasileiros.

Uma transformação cultural deliberada

Preocupações legítimas com barreiras de idioma, diferenças culturais e complexidades operacionais levantavam questionamentos reais nos canteiros de obra. Mas a Tenda não ignorou essas inquietações. Ao contrário: as enfrentou de frente. “Não diria que houve resistência, mas um pouco de desconfiança em função de serem pessoas que não falam a mesma língua e o que isso poderia trazer de complexidades no dia a dia. Diante disso, durante o primeiro ciclo do projeto, nos dedicamos a sensibilizar nossa equipe e trazer o contexto a todos os colaboradores, o que se mostrou uma estratégia acertada”, conta Cristina Caresia, diretora de Gente e Gestão da Construtora Tenda. 

Essa sensibilização não foi um evento pontual. Conversas, letramentos e ações contínuas de conscientização e cultura inclusiva foram direcionadas tanto aos imigrantes quanto aos times administrativos e de liderança. “A obra é um ambiente bastante democrático, onde as pessoas se acolhem e a recepção dos imigrantes foi natural” , afirma Cristina.

Com diversas nacionalidades na empresa, os desafios culturais existem e são diversos. Questões de religião, alimentação, ritos culturais e relações de trabalho não desaparecem com boas intenções. Mas a Tenda aprendeu a tratar os imigrantes com sensibilidade genuína: tradução de documentos, uso de aplicativos de tradução, aprendizado no dia a dia e conversas abertas e adaptações quando necessárias.

“O que a Tenda demonstra é que uma cultura inclusiva verdadeira vai além de políticas no papel. É sobre criar processos estruturados que transformem diversidade em vantagem competitiva real. Quando uma empresa investe em sensibilização contínua e adaptação de processos, ela não está apenas cumprindo uma agenda social, está construindo um modelo de gestão mais resiliente e humano”, analisa Laura Salles, CEO da PlurieBR, primeira plataforma SaaS de gestão de cultura inclusiva do Brasil.

Uma aceleração construída na confiança

O crescimento na Tenda foi notável: expansão de 95% no número de imigrantes contratados em apenas um ano. Para Cristina, o primeiro fator que explica essa aceleração tão expressiva foi o momento favorável do segmento. “O momento do segmento de construção está aquecido, especialmente para quem opera no Minha Casa Minha Vida”, afirma. Esse aquecimento do mercado possibilitou à empresa ampliar significativamente a oferta de vagas para o público imigrante”.

Mas o crescimento não seria possível apenas pela demanda de mercado. O segundo fator é o reconhecimento interno conquistado ao longo do tempo. “Temos um histórico muito sólido com essa experiência, reconhecido pelo time de obras, RH e parceiros, o que faz com que esse processo seja muito natural dentro da empresa. Esse crescimento não foi baseado em experimentação frágil, mas em resultados concretos que geraram e ainda geram confiança interna. A combinação entre uma janela de oportunidade e uma credibilidade já estabelecida criou as condições ideais para a expansão”, explica Caresia.

Números que falam mais que palavras

Em 2025, de acordo com a diretora de Gente e Gestão da Tenda, a rotatividade de imigrantes é 27% menor que a de brasileiros. E isso não é um detalhe, é um indicador profundo de engajamento.

“A diferença para nós acaba residindo em outros pontos como rotatividade e motivação dentro do canteiro, onde temos um destaque para este trabalho. Com relação ao engajamento, há um sentimento de gratidão por parte deles, que querem desempenhar um bom trabalho e seguir carreira, que acaba impactando no ambiente de trabalho de forma positiva. E a empresa responde com mobilidade profissional tangível. Quando se trata de promoções, a trilha é a mesma para todos, baseada em comprometimento, qualidade do trabalho e atingimento de metas“, destaca a gestora.

Para se ter uma ideia, no último ano, uma proporção significativa dos imigrantes com mais de um ano na empresa foi promovida dentro dessa carreira estruturada. Francisco Antonio Flores é um exemplo que frequentemente aparece nos relatos sobre o programa. A sua história, começando como ajudante e chegando a posições de liderança, reflete um padrão deliberado e não uma exceção na Tenda.

Impacto humano que transcende fronteiras

Se cada funcionário imigrante representa uma família de aproximadamente três pessoas, a Tenda está impactando a vida de mais de 1.500 pessoas. “É importante mencionar também que alguns imigrantes têm o hábito de enviar parte do salário para famílias, que continuam no país de origem. Quando um imigrante consegue estabilidade, não apenas sua vida local muda. Há um efeito multiplicador que cruza oceanos”, ressalta Caresia.

Isso é particularmente significativo quando se considera que a construção civil, historicamente, oferece carreiras irregulares e muitas vezes informais. “A Tenda faz uma escolha intencional: contrata toda a mão de obra dos canteiros como CLT, garantindo direitos trabalhistas, benefícios empresariais e cobertura de convenções coletivas. “Para um imigrante que busca recomeço, faz muita diferença”, afirma Cristina.

Capacitação real

Os perfis dos imigrantes contratados são altamente variados. Alguns chegam como profissionais qualificados com experiência prévia em construção civil. Outros trabalharam informalmente com construção em seus países de origem. Há, também, aqueles que nunca tiveram qualquer contato com o ramo.

Além disso, a Tenda conta com programas de formação técnica como FormAção e Fábrica Escola, programas que não são exclusivos para imigrantes, mas onde eles representam mais de 90% das pessoas capacitadas. Os treinamentos aplicados são os mesmos para todos os colaboradores, e a auditoria de qualidade inspeciona o trabalho completo das equipes, sem distinção entre imigrantes e brasileiros. A segurança e os padrões de qualidade da construção civil brasileira não sofrem concessões.

Os desafios burocráticos e o suporte necessário

Contratar imigrantes não é burocracia simples. Há documentação, regularização e questões legais complexas. A Tenda desenvolveu uma rede de suporte estruturada para lidar com isso. “Contamos com uma rede de instituições que atendem imigrantes em todas as capitais onde atuamos, para onde direcionamos aqueles que precisam de algum apoio”, diz Caresia.

A empresa tem um time corporativo que visita obras regularmente e faz acompanhamento com RHs regionais para identificar dificuldades. E nas regiões com maior concentração de imigrantes, como São Paulo e Rio Grande do Sul, há profissionais de assistência social com experiência específica em imigração atuando como prestadores de serviço para o programa.

“Importante destacar que as pessoas que a Tenda contrata já chegam com situação regular, pois passam pelas ONGs ou equipamentos públicos parceiros antes da admissão. Isso reduz significativamente a carga burocrática operacional, mas também garante que a empresa não está criando novos problemas enquanto resolve antigos”, ressalta.

O que não deu certo também ensina

Nem tudo fluiu bem. Sempre há pessoas que não se adaptam, e a Tenda não fantasia sobre isso. Mas é importante destacar que a empresa não tem nenhum caso emblemático onde não tenha conseguido oferecer algum tipo de apoio.

Segundo a diretora de Gente e Gestão da Construtora Tenda, houve situações em que a realidade foi além do alcance corporativo. Um venezuelano precisou se mudar porque seu filho necessitava de tratamento de saúde em outro estado onde a Tenda não operava. Um angolano precisou retornar ao seu país para assumir responsabilidades familiares. Nesses casos, não havia negligência da empresa, mas reconhecimento de que algumas demandas humanas transcendem limites organizacionais.

“Em nenhum momento pensamos em desistir. Iniciamos o programa cientes de que teríamos desafios e estávamos dispostos a enfrentar, desde que não tirassem a sustentabilidade do Programa. Os maiores desafios encontrados foram comunicação (falta de compreensão de algumas palavras e expressões que podem gerar conflitos) e diferenças culturais (questões religiosas, alimentação, ritos culturais). E aqui, o apoio de instituições como o Fórum de Empresas com Refugiados e ONGs parceiras se mostrou fundamental”, conta Caresia. 

A jornada de aprendizado na empresa

Quatro anos de programa deixaram marcas nas políticas internas da Tenda. Checklists de admissão foram revisados, documentos foram traduzidos, processos foram adaptados. E aqui está o detalhe que frequentemente passa despercebido: essas mudanças beneficiaram toda a organização, não apenas imigrantes.

“Aprendemos que o setor da construção civil pode contribuir muito com o contexto de imigração no Brasil, trazendo perspectivas boas para as pessoas que chegam buscando um recomeço. E a partir disso, podemos contribuir e influenciar para que histórias bonitas sejam contadas, sabendo que tivemos um papel importante para essas pessoas. É um legado que podemos deixar como empresa”, reflete Caresia.

“O caso da Tenda exemplifica perfeitamente como dados de pessoas e cultura, quando bem geridos, se transformam em decisões estratégicas de alto impacto. A redução de 27% na rotatividade de imigrantes não é acaso, é o resultado direto de uma gestão de cultura inclusiva baseada em evidências, processos estruturados e desenvolvimento contínuo de pessoas. Esse é o tipo de transformação que só acontece quando diversidade deixa de ser discurso e passa a ser método”, complementa Laura Salles, CEO da PlurieBR.

Expandindo a responsabilidade

Reconhecida pelo ACNUR e inscrita no Pacto Global das Nações Unidas, a Tenda agora ocupa um papel diferente. Em 2025, foi reconhecida como empresa mobilizadora do Fórum de Empresas com Refugiados.

“Nosso papel é usar o espaço e a visibilidade que temos para incentivar outras empresas, através do nosso exemplo e nossos resultados, a se aproximarem da pauta do refúgio e imigração e contribuir da forma como puderem. A geração de emprego e renda é muito importante para esse público, mas existem outras formas também de contribuir com essa comunidade, e cada empresa pode contribuir naquilo que for possível”, pontua Caresia.

Para 2026, a Tenda ainda não estabeleceu uma meta numérica precisa de crescimento. A tendência, segundo Cristina, é adotar um comportamento mais estável em números absolutos, dedicando energia para expansão estratégica ao interior de São Paulo, onde opera a marca Alea (casas com tecnologia woodframe) em crescimento operacional.

Isso reflete uma maturidade programática da empresa: não se trata apenas de escalar números, mas de consolidar impacto, garantir qualidade de implementação e expandir onde há demanda estrutural real. A Tenda provou que é possível. Agora, o mercado pode observar o modelo e ter a oportunidade de seguir.

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